Eles falam em Direitos Neurais, a gente em derrubar post

Temos a impressão de que a polarização não tem saída e as redes são um labirtinto de extremismo, mas já há muita gente fazendo coisas interessantes que você precisa saber.

Muitas das perguntas que as pessoas mais fazem sobre a radicalização nas redes sociais aqui no Brasil já têm respostas. Ocorre que muitos dos líderes buscados pelas pessoas estão encalacrados em debates que ganham importância artificialmente, por pisar nos nossos calos.

O conhecimento nessa área evolui muito rapidamente e em áreas às quais não estamos acostumados a recorrer para falar de redes sociais. Também há uma evolução muito rápida das pesquisas e da tecnologia, então precisamos nos acostumar às mudanças.

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Você deve ter visto esta semana em muitas publicações a lista de influencers que ganham com desinformação no YouTube. O próprio YouTube mandou a lista para a CPI da Covid. Isso é verdade, mas contar só essa história produz desinformação.

Seres humanos querem entender a história completa. Vão concluir, sem evidência nenhuma, que os influencers espalham desinformação porque estão ficando ricos. Mas como assim sem evidência? Eles não espalham desinformação e ganham dinheiro com isso? O próprio YouTube que contou.

As pessoas chegam a esse cenário porque não receberam a quantidade de elementos que precisam para entender a situação. Mas, como não compreendem o universo da Cidadania Digital, acham que entenderam o ocorrido. Não há conhecimento suficiente para cogitar o que está faltando.

E isso não ocorre porque as pessoas são burras ou estão hipnotizadas por político. É uma dinâmica muito nova para nós e já apanhamos para aprender a usar as redes, então temos a impressão de que sabemos como elas funcionam. É aí a armadilha.

O algoritmo é uma prisão para quem não conhece o funcionamento das redes. Ele te dá o que você pede. Já aprendeu a língua dele para pedir o que você quer? Pense nisso como um novo idioma, foi a analogia que facilitou as coisas para mim.

Nesse vídeo, eu explico direitinho essa história de como pedir as coisas para o algoritmo. Eu comecei a conhecer gente que pesquisa Cidadania Digital e entender mais sobre o tema porque aprendi a mexer com o algoritmo depois de apanhar muito.

E daí eu comecei a aprender outras coisas que eu achava que sabia porque tinha sido diretora de plataforma de rede, mexia com dados. Eu não sabia. O conhecimento nessa área evolui muito rápido e as pessoas são criativas, encontram novos usos que a gente não imagina.

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Vamos voltar aos influencers e a desinformação. Eu vi os valores que eles receberam. Concluir que um canal que ganha mensalmente mais de R$ 100 mil fez um vídeos de desinformação sobre COVID por dinheiro e faturou R$ 6 mil com eles não parece uma conclusão lógica.

Tendemos a ver as finanças da internet em termos de conteúdo e alcance do conteúdo. Mas o coração é a criação da comunidade, que dará credibilidade àquele conteúdo e ao influencer. O influencer não fatura pensando em um vídeo específico que viraliza, ele fatura oferecendo a um grupo informações que resolvem problemas concretos deste grupo.

Os vídeos faturam muito pouco e as plataformas ficam com a maior parte do dinheiro. Nos EUA, 70% do conteúdo antivacina consumido foi feito por 12 influenciadores, que já são uma indústria. Juntos, eles faturaram só com redes sociais em 2020 US$ 36 milhões.

Muito dinheiro? Quanto as redes sociais faturaram com o conteúdo deles? US$ 1,1 BILHÃO. O cálculo foi feito esta semana pelo Center for Countering Digital Hate e eu fiz um artigo na Gazeta do Povo que explica todos os detalhes.

Pela premissa inicial, o YouTube era um agente contra fake news e desinformação, certo? Afinal, além de passar dados à CPI, ele derruba conteúdos de desinformação. Se é assim, por que a gente vê conteúdo de desinformação o tempo todo e eles lucram tanto com isso?

Share Cidadania Digital, por Madeleine Lacsko

No Brasil, 70% das visualizações de vídeos com desinformação sobre COVID na plataforma do YouTube ocorreram por recomendação do algoritmo. Sabe aqueles vídeos da sua página inicial e os que são indicados automaticamente depois que você assiste o que queria ver? Então, o YouTube coloca aí esse conteúdo.

Acreditar que a derrubada de perfis robôs, por exemplo, é luta conta a desinformação também tem relação com o conhecimento parcial assumido como total. Eu já acreditei nisso durante muito tempo. Ocorre que a razão de derrubar robôs é a sobrevivência do algoritmo. Se houver muitos perfis automatizados, ele vai confundindo a capacidade de prever ações humanas, o objetivo dele. Explico direitinho neste artigo que fiz para a minha coluna na Gazeta do Povo.

A culpa é do algoritmo, certo? Ou esses influencers aprenderam direitinho como o algoritmo funciona e viraram mestres em conquistar tanta audiência. Ocorre que o algoritmo é programado por gente e pode ser modificado a qualquer minuto. A plataforma tomou a decisão ética e moral de continuar lucrando com este conteúdo.

Mas quando esses conteúdos saem das redes ou o influenciador perde o canal, o conteúdo deixa de circular, certo? Então o melhor é derrubar. Sim, mas há outras questões aí. Um relatório feito pelo Atlantic Council para a Polícia Federal do Brasil investigava mais de 15 mil perfis. Só foi possível obter informação sobre pouco mais de 500 deles.

Muitos dos perfis tiveram conteúdos derrubados, o que é bom para que a desinformação não circule. Isso é tratar o sintoma, não a causa da doença. Quando os dados são apagados da forma como as plataformas fazem hoje, a responsabilização e a compreensão sobre por que isso ganha tanto alcance são impossíveis.

Na playlist Cidadania Digital, que eu atualizo terças e quintas (de manhã para assinantes do canal e quem me apóia no apoia.se/madeleinelacsko e às 19h para o público em geral), fiz um vídeo sobre isso contando o caso Trump.

Até hoje não se sabe em que medida as redes sociais colaboraram ou tentaram conter o desfecho que houve no Capitólio. Com a derrubada do perfil da forma como é feita, as informações não circulam mais. Ocorre que a apuração está agora restrita às postagens salvas em serviços de arquivo perpétuo por jornalistas e pesquisadores.

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O mesmo Atlantic Council que fez consultoria para a Polícia Federal participou esta semana do seminário de cybersegurança da Cyberscoop, a publicação que é líder mundial nessa área. Eles relataram uma operação de desinformação que desarticularam e rastrearam. Ninguém na plataforma percebia a movimentação porque a alavancagem era feita utilizando mais de 230 plataformas simultaneamente.

Diante disso, percebe o gasto inútil de energia que é ficar focando em derrubar post ou perfil? Voltemos ao algoritmo que dá o que você pede. Quando são montadas verdadeiras operações de guerra para derrubar um post indevido, o que essas pessoas todas estão dizendo ao algoritmo?

Estão falando que consideram esse post um conteúdo que engaja, que estão dispostas a permanecer usando os produtos da plataforma todas as vezes em que houver postagens semelhantes. Quanto mais gente entra na campanha para derrubar, mais o algoritmo aprende isso. Ele pode derrubar aquele post, mas quantos outros serão privilegiados em seguida porque engajam? Eu explico tudo nesse vídeo:

Ah, mas então a gente não tem nada a fazer e o mundo está perdido. Se você chegou até aqui, já fez o mais importante que poderia: aprender sobre redes sociais, algoritmos e os truques que usam para nos encantar. É o efeito Mister M. Tem gente que trabalha com isso dedicada a soluções.

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Mas o que solucionaria? Você já ouviu falar em Direitos Neurais? Os neurocientistas que trabalham em evolução tecnológica e interação homem-máquina defendem que eles sejam incluídos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Esse movimento tem uns 4 anos e ainda não teve a repercussão que merece talvez porque pareça ficção científica. As pessoas vivem nos próprios grupos, que vão estimulando o viés de confirmação, validando o que a gente já pensa. Então, pessoas importantes na sociedade passam a se dedicar a derrubar perfil e robô, perdem de vista soluções reais.

Neste vídeo eu explico como é fácil a gente perder o contato com a realidade quando fica imerso nesses grupos, mesmo que eles não sejam seitas doidas nem radicais. Há os casos graves, de pessoas que até se colocam em risco pela radicalização. Mas o primeiro efeito das bolhas é o emburrecimento por não ver o que já existe fora delas.

Todos estamos em bolhas. Eu estou em bolhas. Reconhecer qual é a nossa bolha é a grande oportunidade para aprender quais são as outras e saber como pensam e o que debatem os que vêem o mundo com outra perspectiva.

Foi com esse espírito que eu aprendi a programar os algoritmos das minhas redes para receber conteúdo de pesquisa séria em Cidadania Digital na área comportamental e de neurociência. Daí descobri uma experiência incrível que acontece para mudar esse cenário de caos bem aqui ao lado, no Chile. Fiz um artigo detalhado para a Gazeta do Povo sobre isso.

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O Chile está fazendo uma nova Constituição. Foi a oportunidade que os neurocientistas encontraram para testar a ideia dos Direitos Neurais e também outras medidas práticas, já em andamento.

A nova Constituição do Chile será a primeira do mundo a assegurar os Direitos Neurais, que são 5, como Direitos Fundamentais do cidadão. Ao mesmo tempo, o grupo de neurocientistas que milita por essa causa uniu-se a gigantes da tecnologia para tentar um modelo novo de interferência social que combine com a legislação.

São duas frentes. A primeira é a da conscientização das pessoas sobre como funciona o universo da Cidadania Digital e o poder que as redes sociais e games exercem sobre nós, frequentemente subestimado.

A outra é um processo neuropsicológico para dar aos profissionais da área o peso da responsabilidade que têm de interferir na vida das pessoas e na dinâmica social. Todo algoritmo programado é feito por um programador que sabe do potencial dele. Muitos fazem coisas sabendo que serão prejudiciais a quem não conhece essa dinâmica.

As pessoas que se eduquem. Não é ilegal e a empresa pediu. Eximir-se da responsabilidade neste cenário é fácil, quase natural. Os neurocientistas uniram-se à IBM, ao Facebook, à Sherpa (líder em assistentes pessoais por inteligência artificial) para implementar um programa de conscientização dos profissionais.

Eles passarão a fazer um juramento público, solene, semelhante ao Juramento de Hipócrates que fazem os médicos. Vão prometer não usar a própria habilidade para promover o mal para pessoas ou para a sociedade e procurar usar a tecnologia sempre para melhorar a experiência e a vida humana.

Será que isso vai dar certo? Não sei. Mas a proposta vem da Neurorights Foundation, capitaneada por Rafael Yuste, uma lenda viva da neurologia e chefe do projeto bilionário do governo Obama para conhecer o funcionamento do cérebro e o mecanismo de tomada de decisões. Alguma coisa sobre isso ele sabe.

Nós já colonizamos o universo da Cidadania Digital e já vivemos nele. Ele nos traz possibilidades que jamais imaginamos. Para mim, por exemplo, ter contato com esses especialistas e aprender o que eu estou aprendendo seria inimaginável sem as redes, os algoritmos, a internet e a tecnologia.

Agora estamos no momento de aprender como funciona esse universo e encontrar uma forma de impor a ele regras que estejam de acordo com nossos princípios e valores.

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