Cai o mito

Um estudo da Mozilla Foundation com mais de 37 mil usuários em 91 países mostra que o algoritmo do YouTube não se baseia nas suas escolhas e promove radicalização.

Estamos numa sociedade tão controlada por debates de redes sociais que, estranhamente, esta semana, o estudo da Fundação Mozilla não causou uma hecatombe na imprensa.

Ele mostra pela primeira vez, com dados concretos, que o YouTube mente sobre o funcionamento de seu algoritmo, que promove vídeos extremistas muito mais do que os outros e que a maioria das visualizações de conteúdos tóxicos é feita por recomendação do próprio YouTube.

Não pense que as outras redes sociais são diferentes nem que são vilões. No mercado digital, são empresas que querem estar legalizadas em todos os países e operar na economia formal. Acontece que cumprem as regras na medida das exigências de cada país.

Aproveito para pedir desculpas por não ter mandado a newsletter da semana passada. Foi meu aniversário e aproveitei aqui em casa. Também preparei um presente para vocês. Meu livro TRATAMENTO DE CHOQUE agora é gratuito.

Minha parceira no curso Cidadania Digital, a Kebook, fez um site só para você poder baixar o conteúdo em PDF e distribuir para quem você achar que precisa saber mais sobre as redes:

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Esta semana, eu fiz um vídeo falando dos principais pontos do estudo de 39 páginas, que durou quase um ano, reuniu mais de 37 mil voluntários em 91 países e está no link acima.

Gostei dele especialmente porque não se restringe a apontar o problema, uma prática que deixa a gente meio desesperado nesse universo da Cidadania Digital. Ele traz também propostas de solução para empresas, governos e para nós, cidadãos.

Neste vídeo, eu explico detalhes do estudo e também dou as dicas para você aprender a minimizar os impactos da radicalização. São dicas interessantes para você compartilhar principalmente com adolescentes e idosos que você ama. São coisas simples e que fazem a diferença, detalho mais em seguida, com links práticos, como prometi no vídeo.

Se você tem interesse em saber mais detalhes do estudo, mas não está com paciência para ler as 39 páginas ou traduzir do inglês, fiz uma resenha analítica em forma de artigo para a Gazeta do Povo. Aí tem todos os dados e análise dos gráficos, explicando como se chega à conclusão de que o Brasil tem o YouTube mais tóxico do mundo.

AH, MAS TEM PAYWALL, QUE ABSURDO!!! Calma, que eu tenho uma solução para você que não é assinante. É só se cadastrar neste link aqui para ler 3 matérias exclusivas para assinantes grátis todos os meses.

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O relatório da Mozilla Foundation tem 4 conclusões principais:

● Cerca de 9% dos vídeos denunciados pelo projeto foram retirados do YouTube, incluindo vários que antes eram recomendados e depois foram retirados por violar diretrizes e regras das próprias plataformas. Antes que fossem derrubados, esses vídeos tiveram 160 milhões de visualizações.

● As recomendações são desproporcionalmente responsáveis pelos arrependimentos do YouTube. 71% de todos os relatórios de arrependimento vieram de vídeos recomendados aos nossos voluntários, e os vídeos recomendados tinham 40% mais chances de provocar arrependimento do que os vídeos buscados.

● Vídeos que causam arrependimento tendem a ter um bom desempenho no YouTube. Vídeos denunciados têm 70% mais visualizações por dia do que outros vídeos assistidos por nossos voluntários.

● Recomendações lamentáveis geralmente não são provocadas. Em 43,3% dos casos onde temos dados sobre tudo o que um voluntário assistiu antes de um arrependimento, a recomendação feita pelo YouTube era completamente alheia aos vídeos anteriores que o voluntário assistiu.

Como blindar um perfil contra radicalização

Nós ainda minimizamos o poder que as redes sociais têm de mudar o comportamento e a forma como as pessoas pensam. Em uma edição passada da newsletter, falei sobre Direitos Neurais e sobre como cientistas já sabem que a manipulação digital afeta nosso comportamento.

Precisamos urgentemente de educação para a convivência na era da Cidadania Digital. Sei que falo disso o tempo todo, mas você pode acompanhar nas minhas redes os depoimentos dos alunos do curso Cidadania Digital e de quem leu Tratamento de Choque. Funciona.

Sei disso porque aprendi errando muito e sei que há maneiras de aprender sem ter os mesmos prejuízos profissionais e pessoais que eu tive. Hoje, muita gente já estuda o tema. Eu inclusive, o tempo todo, consumindo a paciência de quem está ao redor.

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Há alguns passos simples para diminuir o poder de radicalização do algoritmo do YouTube sobre as pessoas. Sugiro que você tente, ensine adolescentes e idosos da família e depois me conte o que aconteceu. Eu já fiz e realmente funciona.

APRENDA A FUGIR DE “RABBIT HOLES”
O estudo da Mozilla traz relatos semelhantes aos que eu e você já vivemos. Você busca uma receita culinária e vê ali uma sugestão para ver um vídeo de teoria da conspiração.
Seu filho está vendo um cartoon com trens e, de repente, o YouTube sugere a ele vídeos sangrentos de acidentes de trem. Uma menina procura vídeos de dança e começa a receber glorificação do corpo anoréxico. A criança vê vídeos de outras crianças que superam doenças e são sugeridos vídeos com fotos de pessoas com necrose derivada de câncer. Sempre a sugestão é de algo mais tóxico.
>>> NUNCA CLIQUE EM VÍDEOS SUGERIDOS OU NO PRÓXIMO VÍDEO AO FINAL DO QUE VOCÊ VIU, é por aí que se entra na espiral de radicalização.

BUSCA ATIVA E PLAYLISTS PARA CRIANÇAS E IDOSOS
Sempre veja o vídeo por meio de busca ativa. Procure o que você quer ver. Segundo o estudo da Mozilla Foundation, isso diminui bastante a chance de se deparar com conteúdo tóxico. Além disso, aumenta a sua chance de conscientemente rejeitar este tipo de conteúdo.
>>> AJUDE FAMILIARES E AMIGOS, PRINCIPALMENTE CRIANÇAS E ADOLESCENTES, A MONTAR PLAYLISTS PRIVADAS DE INTERESSE
Vou te ensinar a fazer isso a partir de um vídeo que publiquei esta semana sobre o erro jornalístico de dizer que havia vacinas vencidas sendo aplicadas em massa.

  1. Entre no vídeo e clique no link SALVAR:

    1. Ele vai te sugerir onde salvar o conteúdo. Clique em “criar uma nova playlist”:

      1. Você vai poder escolher um nome para a playlist e um nível de privacidade - eu sempre sugiro PARTICULAR, mas você decide.

  1. Uma vez criada a playlist, faça buscas ativas dos vídeos que podem ser legais para você, o adolescente ou o idoso que você está ajudando. Repita o processo, adicionando à mesma playlist.

Trata-se de uma mudança de comportamento radical. Você substitui a subordinação ao algoritmo por uma busca ativa. A pessoa passará a ver a playlist em vez das recomendações do YouTube. Buscar os vídeos pode se tornar uma atividade divertida para fazer a dois ou em grupo.

APRENDA A ELIMINAR DICAS TÓXICAS PARA O ALGORITMO
Faça o login no YouTube que você quer limpar, seja o seu ou de alguma criança, adolescente ou idoso que você ama. Entre neste link, que é o onde o YouTube coloca os seus dados.
Rolando a tela, você verá o “Histórico de Exibição do YouTube” e uma opção para “Gerenciar o histórico de exibição do YouTube”. Clique aí e apague todos os vídeos que não fazem bem ou não o tipo de coisa que você quer ver novamente.
Dessa forma, esses dados deixarão de ser uma referência para que o YouTube indique a você mais vídeos semelhantes.

Volte à página dos seus dados no YouTube e desça até o Histórico de Pesquisas do YouTube. Aí também tem uma possibilidade para “Gerenciar o Histórico de Pesquisas do YouTube”. Clique e apague todas as pesquisas que trouxeram experiências ruins para você ou para a pessoa que você está ajudando.

Há ainda uma outra opção. Veja no topo das duas imagens a opção “Ativado”. É possível desativar tanto os vídeos já vistos quanto o histórico de pesquisas na influência dos conteúdos que você receberá em seguida.

Experimente fazer isso e depois me conte nas redes. No curso Cidadania Digital, eu falo bastante sobre o “efeito Mister M”. Conhecer a dinâmica das redes é meio desesperador no início. Mas saiba que cada vez que você descobre um truque ou uma estratégia, nunca mais você se deixa encantar por este tipo de mágica.

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Este tipo de informação você não vê por aí e talvez veja na imprensa só daqui a algum tempo. Espero que ajude você e as pessoas que você ama a terem uma convivência mais saudável com as redes sociais.

Nunca esqueça que é por meio da internet que você está aqui e por meio da internet que eu consegui construir todo este conhecimento, deixar de ser dominada para dominar. Estamos em um processo de aprendizado.

Novidades da semana

A gente acompanha as redes sociais e o noticiário e fica meio em desespero. Parece que entramos numa era distópica em que fatos e verdades pouco importam. Mas não é assim, tem muita gente boa fazendo coisa legal.

A partir desta edição, eu passo a compartilhar com você conteúdos que surgiram na semana e podem ajudar muito numa melhor convivência digital e, acima de tudo, a conseguir usar a internet a seu favor.

TEMPESTADE IDEOLÓGICA

Não sei se você já conhece a Michele Prado, minha amiga, e o livro dela, que pesquisa como teorias extremistas foram disfarçadas no meio do discurso moderado. O livro é fundamental, abriu meus olhos. Acompanhei como ela se comportou de maneira altiva diante de ataques contra pessoas inocentes e recomento vivamente. Eu já li e estou na fase do “quero mais”.

Se você quer entender melhor que história é essa, a Tatiana Vasconcelos, jornalista experiente e ponderada, fez uma entrevista sensacional com ela na CBN esta semana. Também participou o professor Pablo Ortellado, pessoa muito séria e rigorosa, por quem tenho imenso carinho. Confira que vale a pena!

MUDANÇA NO USO DO WHATSAPP
O Núcleo Jornalismo é um centro de excelência em jornalismo de dados. Gosto demais do trabalho deles. Esta semana, eles publicaram uma reportagem muito interessante mostrando como nós mudamos a forma de usar o Whatsapp desde as últimas eleições presidenciais. Eu não fazia ideia disso!!! Confira.

INTERNET X CONTRATERRORISMO
Esta semana, o Conselho de Direitos Humanos da ONU publicou a 70a revisão da
Estratégia Global de Contraterrorismo. O novo documento mostra a preocupação dos governos com a radicalização e o extremismo promovidos via internet. Também recomenda a todos os países que invistam na conscientização das pessoas sobre a dinâmica do cyberespaço, a Cidadania Digital.

FACEBOOK X EXTREMISMO
O Facebook lançou um experimento para identificar o que é conteúdo extremista e levar pessoas a pedir ajuda ou ajudar amigos. No entanto, a experiência não tem respaldo científico e tem apenas base em reconhecimento de palavras. Estamos diante de mais uma tentativa de fuga das responsabilidades? Fiz um artigo para a Gazeta do Povo com os detalhes.


VACINAS VENCIDAS QUE NÃO ESTAVAM VENCIDAS
Você provavelmente ficou sabendo da polêmica das vacinas vencidas, aplicadas em mais de 1500 municípios do Brasil. Depois se viu que não era nada disso, a gigantesca maioria não estava vencida. Fiz um vídeo para a gente refletir sobre a influência da moralidade e da lógica das redes sociais sobre o jornalismo.

OPORTUNIDADE

Na segunda-feira, dia 12/07, às 20h, faço a live TIRA-DÚVIDAS sobre Cidadania Digital. O principal foco é em pessoas que têm dificuldades com familiares e amigos que não querem tomar vacina da Covid e como se virar em brigas de grupos em redes sociais, principalmente de WhatsApp.

>>> INSCREVA-SE NO CANAL PARA TER A OPORTUNIDADE DE FAZER PERGUNTAS NO CHAT!!!

Espero você na segunda-feira 20h!!!

Não perca sua oportunidade de tirar dúvidas ao vivo!!!

Se você for MEMBRO DO CANAL ou ALUNO DO CIDADANIA DIGITAL, você tem direito ao link para fazer perguntas em áudio ou vídeo ao vivo!!!

No grupo VIP do Telegram só com alunos do Cidadania Digital, eu envio conteúdos atualizados e tiro dúvidas em tempo real. A sua relação com as redes pode mudar completamente em poucas semanas. Aprenda com os meus erros.

Garanta sua vaga!!! São limitadas!!!

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Share Cidadania Digital, por Madeleine Lacsko

Espero que a newsletter desta semana tenha ajudado você de alguma forma.
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